Primeiros passos para conhecer o vinho do porto

Por muita capacidade intelectual que se tenha, nunca a aprendizagem do vinho do porto é curta. Desde saber ler os rótulos até entender a gama de preços, passando pela prova e por perceber quais os estilos que mais nos agradam, dominar o assunto é trabalho para anos. Para uma vida inteira. Nada como começar – e os primeiros passos podem ser dados desde já.

O vinho do porto é um vinho único e exprime em cada copo o maior colosso da vitivinicultura mundial. Um trabalho obsessivo e insano de gerações construiu as vinhas do imenso vale do Douro. Chamamos-lhe paisagem e reconhecemos-lhe majestade e no entanto foi tudo feito por mão humana, a mando de um qualquer genial arquiteto, por imperativos que nunca iremos conhecer.

O vinho do porto é por isso, antes que tudo, um legado. Vinhas velhas, castas testadas e e perfeitamente adaptadas, e uma base ainda essencialmente artesanal são alguns dos muitos segredos que a grande ilha de xisto esconde.

Apesar da profusão de estilos e designativos, o vinho do porto é todo feito mais ou menos da mesma forma. Obtenção de mostos por pisa a pé, fermentação alcoólica interrompida por adição de aguardente vínica incolor e inodora, e estágio. É neste que tudo se define, e há apenas dois caminhos. Ambiente oxidativo, que é o estágio de vários anos ou décadas em cascos de carvalho, aloirando os vinhos, obtendo-se os tawnies; ou ambiente redutivo, assim dito por evoluir em garrafa, com poucas trocas de oxigénio com o exterior, para se obter vinhos de cor concentrada, ou ruby. As principais categorias de vinho do porto distribuem-se por estes dois grandes grupos. Dão mais nas vistas os rubies, porque têm à cabeça o vinho do porto mais valorizado e procurado no mundo inteiro, o vintage.

Provém apenas de uma colheita e resulta da seleção mais rigorosa de uvas. Estagia pouco tempo em casco, devendo ser engarrafado entre o início de julho do segundo ano e o final do terceiro ano. É fantástico quando é novo, cheio de fruta e força, é extraordinário quando se bebe no momento certo. O «tempo da fruta» dura cerca de quatro anos, seguindo-se um período de dormência de cerca de sete anos, o que fixa o tal momento em cerca de onze anos após o engarrafamento, ou seja cerca de 14 anos após a vindima.

Estão a entrar nessa fase os vintage de 2002, neste momento.
Mais preparados para beber estão os LBV, ou late bottled vintage, desde que são engarrafados, o que acontece entre o quarto e o sexto ano. A evolução em garrafa é muito menos percetível do que num vintage, pelo que está pronto a consumir desde que é posto no mercado.

No extremo oposto estão os tawnies, que em vez de concentração mostram complexidade, com notas de frutos secos, caramelo e nougats. Os colheita são, como o nome indica, produzidos numa colheita apenas, o que à partida seria um distintivo de qualidade, mas a grande doutrina tawny é a dos lotes. Os tawnies com indicação de idade – 10, 20, 30 e mais de 40 anos – são onde o apreciador fervoroso de porto gosta de estacionar e colecionar, mesmo que tenha uma garrafeira bem povoada de bons anos vintage.

Em termos de prazer e sentido do clássico, é o lugar de todas as boas surpresas. Enquanto os preços dos vintage acompanham o mercado, os tawnies representam o trabalho real de envelhecimento em cave. Em termos de harmonização, escolha chocolates com mais de 70% de cacau para os rubies, frutos secos e toffees de caramelo para os tawnies. Melhor mesmo é provar e ver como se sente com cada estilo, mediante o orçamento disponível. Certo é que há sempre um vinho do porto para cada um.

Boas provas!



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