Aldeana: a cerveja artesanal que conta a história do Montijo

Miguel Cáceres, 23 anos e natural do Montijo, trouxe da Bélgica o gosto pela cerveja e lançou no final de abril a Aldeana Blonde e a Aldeana Original, de produção artesanal

É a primeira cerveja artesanal com origem no Montijo e as garrafas estão praticamente esgotadas, depois de colocadas à venda em 23 pontos comerciais como restaurantes, bares, cafés, mercearias e barbearias, no final de abril. «Não estava à espera desta procura tão grande. Já estamos a produzir mais», conta Miguel Cáceres, promotor desta nova marca de cerveja que quer marcar a diferença. São duas: a Aldeana Blonde e a Aldeana Original, criadas para harmonizar com a gastronomia da região.

«A Aldeana Blonde é uma Belgian Blond Ale e tem um aroma muito distinto que não se compara ao de uma cerveja industrial. Tem um caráter muito frutado e muito aromático, porque os maltes que usamos também dão um corpo totalmente diferente. Tem 6% de álcool e acaba por ser uma cerveja mais leve que harmoniza bem com peixe e marisco, comidas mais leves», descreve Miguel. Já a Aldeana Original, que vai bem com carne de porco, enchidos e queijos fortes, segue o estilo Bière de Garde, tradicional de Nord-Pas-de-Calais, em França, e que «não se faz muito em Portugal».

Foi esse estilo, relativamente pouco explorado pelos produtores portugueses de cerveja artesanal, que Miguel Cáceres quis trazer para o Montijo depois de ter feito Erasmus no norte de França, em 2014, e de ter conhecido a cultura cervejeira belga, mesmo ali ao lado. «Quando cheguei a Portugal comecei a investigar o que é que havia de cervejas artesanais e no verão de 2015, quando estava mais por dentro do assunto, estava a beber uma cerveja artesanal com amigos e disse: “vou criar a Aldeana”. E começou assim, com o nome», recorda.

Quem beber uma Aldeana estará a beber da história do velho Montijo, tratando-se de uma cerveja que recupera as «histórias antigas que estão aí perdidas». O nome aldeana terá surgido de Alda, uma galega que explorava uma taberna junto ao cais do Montijo, por onde passavam viajantes do Algarve, Alentejo e Espanha em direção a Lisboa. «A taberna era famosa e vendia uma cerveja local muito conhecida. Diziam “vamos à taberna da Alda galega”. Daí surgiu o termo aldeia galega».

O jovem empreendedor de 23 anos acredita que «a diferenciação» da Aldeana face às marcas que já existem reside precisamente na «identidade» montijense. E na verdade, ninguém melhor do que um filho da terra para criar este negócio. «Esta coisa do empreendedorismo faz parte da minha maneira de ser. Como estou a acabar o meu mestrado em Gestão e não tenho como objetivo trabalhar numa empresa de consultoria, como é normal nas minhas áreas, comecei a olhar para isto também como uma maneira de poder viver», revela. O processo de criação da cerveja, como aliás sucede com a maior dos pequenos produtores, começou em casa, «numa vertente de brincadeira», e levou dois anos até as receitas artesanais estarem afinadas e capazes de surpreender pela positiva quem nunca tivesse bebido uma cerveja artesanal.

A Aldeana foi lançada num evento no Montijo, tem 23 pontos de venda (além do site da marca), e o objetivo é, no futuro, chegar às mesas de todo o país. A produção neste primeiro ano deverá rondar os oito a dez mil litros de cerveja. Parece que a Aldeana, à semelhança da história da aldeia galega, vai andar nas bocas do povo.



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